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A narrativa do texto de Mc 3,20-35 apresenta uma dinâmica
em torno da casa, onde Jesus e seus interlocutores colocam-
se frente a uma tensão simbolicamente representada no ato
de estar dentro ou fora da mesma. Esta tensão vem marcada
por uma ruptura, frente à pregação e ação de Jesus, por
parte dos interlocutores, representativos das instituições
políticas, religiosas e culturais do judaísmo no tempo de
Jesus. Neste sentido, a ruptura entre Jesus e os que não
aceitam o seu projeto: parentes (Mc 3,21), escribas (Mc
3,22), familiares (Mc 3,31), apontam para uma divisão da
casa. Por outro lado, os que são chamados por Jesus (Mc
3,13-19), ouvem as suas palavras (Mc 3,33) e fazem a
vontade de Deus (Mc 3,35), apontam para a unidade da casa.
Da tensão entre unidade e divisão, percebe-se que a casa
ocupa um lugar central, sendo portanto um elo e chave de
leitura para todo o capítulo três do evangelho de Marcos.
Esta presença acentuada da casa é bastante significativa,
pois em diversos momentos ela é o lugar do encontro entre
Jesus e os discípulos, lugar onde acontecem o ensinamento e
a aprendizagem, em outras palavras, a casa/comunidade dos
discípulos de Jesus, destacando a sua dimensão eclesial e
comunitária. Estar dentro e fora da casa, passa a ser um
diferencial marcante na perspectiva do seguimento de Jesus,
pertença e participação do seu projeto. Na contribuição
desta nova compreensão do texto, uma hermenêutica para toda
relação intergrupal se faz presente, onde a tensão entre
unidade e divisão se apresenta como condição para sua
existência.
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