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Este estudo pretendeu fazer um levantamento de como e por
que Santo Agostinho formulou a noção de interioridade.
Parti da hipótese de que a interioridade foi resultado da
busca de Agostinho pela verdade, o que o levou a
refutar o ceticismo e a formular o proto-cogito, que lhe
garante não só a certeza de sua própria existência, mas
também a indicação de que é no interior do homem, em sua
alma, que a verdade deve estar. Para que a verdade
pudesse ser conhecida, porém, Agostinho precisou
estabelecer as condições de possibilidade do conhecimento
o que ele fez com a doutrina da iluminação, por meio da
qual sabe-se que o homem foi criado com uma luz capaz de
conhecer as razões eternas e a verdade. Mas no De
Trinitate Agostinho irá postular ser no homem interior
que se poderá encontrar a imagem de Deus. Desse modo
observa-se que se, inicialmente, a interioridade é
pensada, em Agostinho, relativamente a questões de ordem
epistemológica, ela irá, porém, sendo formulada para dar
conta também de questões éticas, de que a salvação faz
parte. Nesse sentido, pode-se dizer que ela é, para ele,
uma noção que irá sendo repensada e reformulada, sendo
revestida de conteúdos novos e vindo a adquirir, em sua
obra madura, contornos cada vez mais teológicos.
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